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De Conformidade Reativa para Conformidade Proativa

A crescente sofisticação das ameaças, impulsionada por conflitos geopolíticos e motivações políticas, está a redefinir o panorama da cibersegurança, o que tem conduzido a novas exigências de conformidade, obrigando muitas organizações a reagir. Mas será que a conformidade deve ser apenas uma resposta a pressões externas, ou pode tornar-se uma vantagem estratégica?

03/04/2025

De Conformidade Reativa para Conformidade Proativa

Pressão Regulatória

De acordo com o ENISA Threat Landscape 2024, durante a segunda metade de 2023 e a primeira de 2024, registou-se uma escalada significativa nos ataques de cibersegurança, estabelecendo novos máximos em volume e impacto. A crescente sofisticação das ameaças, impulsionada por conflitos geopolíticos e motivações políticas, está a redefinir o panorama da cibersegurança.

Em resposta, as entidades reguladoras têm intensificado as exigências de conformidade, obrigando muitas organizações a reagir. Mas será que a conformidade deve ser apenas uma resposta a pressões externas, ou pode tornar-se uma vantagem estratégica?

Da Reação à Proatividade

Muitas organizações encaram a conformidade como um processo burocrático, limitando-se a cumprir requisitos normativos ou a preparar-se para auditorias específicas. No entanto, esta abordagem tem limitações evidentes, pois garante a conformidade momentânea, mas não assegura uma integração das boas práticas de segurança na cultura organizacional.

Tal como a cibersegurança evoluiu de uma abordagem puramente reativa para uma postura mais proativa, a conformidade também deve seguir este caminho. Enquanto a conformidade reativa se limita a responder a auditorias ou incidentes, a conformidade proativa antecipa riscos, fortalece a resiliência organizacional e torna a segurança um processo contínuo.

A adoção de uma postura proativa permite reduzir custos com incidentes, melhorar a capacidade de resposta e reforçar o cumprimento regulatório como uma consequência natural da estratégia de segurança da organização. Esta postura está alinhada com o princípio da abordagem baseada no risco, cada vez mais presente em normas e regulamentos. Ao invés de aplicar controlos indiscriminadamente, foca-se na proteção dos ativos críticos, alinhando a segurança com os objetivos de negócio.

Os Pilares

Para garantir que a conformidade não é apenas uma obrigação, mas sim um reflexo da maturidade organizacional, podemos estruturar uma abordagem proativa em 5 pilares fundamentais:

  1. Gestão de Riscos - Deve ser o ponto de partida para qualquer estratégia de conformidade proativa. Ao invés de aplicar controlos genéricos, uma abordagem baseada no risco permite:

    a.      Identificar os processos e ativos críticos

    b.      Realizar uma Business Impact Analysis

    c.      Avaliar ameaças e vulnerabilidades associadas a cada ativo

    d.      Definir e implementar controlos proporcionais ao impacto e à probabilidade dos riscos

  2.  Formação contínua – Capacitar as equipas com conhecimento sobre boas práticas, riscos e ameaças emergentes reduz a probabilidade de incidentes e promove uma cultura organizacional de segurança. Quando os colaboradores compreendem o porquê das medidas de segurança, a conformidade torna-se uma consequência natural do seu dia a dia, em vez de um mero requisito imposto pela organização.

  3. Testes de Segurança – Uma postura proativa exige validação contínua da eficácia dos controlos implementados:

    a.      Modelação de ameaças – Identifica potenciais ameaças e vetores de ataque contra ativos ou sistemas, antecipando riscos e permitindo a implementação de controlos de segurança adequados

    b.      Testes de intrusão – Identificam vulnerabilidades, avaliam controlos e validam a resposta da organização

  4. Monitorização contínua – A conformidade é um processo dinâmico que exige revisão e adaptação constantes. Inclui monitorização de KPIs, revisões periódicas, auditorias internas, gestão de não conformidades e acompanhamento de mudanças regulatórias. Uma abordagem estruturada permite identificar falhas precocemente, promover a melhoria contínua e fortalecer a segurança da informação.

A conformidade não é um destino, mas um processo contínuo de evolução e adaptação. Ao investir numa abordagem proativa, as organizações não apenas respondem a exigências regulatórias, mas antecipam riscos, fortalecem a sua postura de segurança e criam uma cultura organizacional verdadeiramente alinhada com a proteção dos seus ativos.

 

 

 

Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela Balwurk


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